DEUS ME LIVROU DA MORTE
A VIDA NA POLTRONA 43
Autor: Ev. Enoque Rodrigues Nogueira
No dia seis de março de 2005, estava programado para embarcar na Plataforma de Enchova, no vôo de helicóptero de 7h 30min do aeroporto de Macaé – RJ.
Arrumei cuidadosamente a bolsa para os quatorze dias que passaria embarcado com bastante material de estudo e de um Projeto Missionário no qual estamos envolvidos com outros vinte parceiros.
Saí de casa às 19h do dia anterior visando chegar por volta das 23h em Macaé e dormir no Hotel Veneza por conta de um acordo mantido por eles com o Sindipetro-nf. Dei apenas uns quinze passos e resolvi voltar e aguardar mais seis horas e sair de casa pela madrugada para pegar o ônibus da Viação 1001 que sai do Rio para campos via Macaé. À uma hora em ponto saí de casa e me servi de uma Kombi que faz o percurso até a Rodoviária. Fiquei bastante preocupado com a alta velocidade daquele transporte, o tipo de pessoas que entravam no veículo e três blitz que vi.
Chegando na Rodoviária à 1h 40min me dirigi ao guichê da 1001, solicitei ao atendente uma passagem para Macaé para às 2h 30min, madrugada de domingo de 06/03/2005; prontamente o rapaz digitou os dados e me mostrou na tela o mapa com as poltronas disponíveis; tinha apenas duas vagas nas janelas, 1 e 43. Sempre soube que a primeira oferece o maior risco e a 43, o mau cheiro proveniente do banheiro; como eu sempre viajo na janela e só uso as de corredor quanto todas estas ocupadas, fiquei uns cinco segundos pensando entre uma e outra; optei pela última por ser mais segura e estava muito sonolento. Não solicitei ao atendente que retirasse o seguro como fazia habitualmente há algum tempo, paguei no cartão a passagem com a taxa de seguro. Entrei na condução e dormi imediatamente, não vi a sua partida.
Acordei com um estampido e uma gritaria; não sabendo do que tratava gritei: JESUS TEM MISERICÓRDIA DE NÓS E NOS COBRE COM O TEU SANGUE!
A cena me foi única, O ônibus estava parado, inclinado para frente e esquerda, com o motor funcionando, com a roda traseira direita girando, havia gritaria e pessoas querendo sair pelas janelas.
Segundo me informaram, o ônibus havia sido atingido por uma pedra jogada por assaltantes, quebrou o pára-brisa e atingiu em cheio o rosto do motorista, que, sem governo, atravessou a pista que estava passou por sobra uma divisória, pela pista de sentido contrário e caiu numa ribanceira de cerca de cinco metros abaixo na rodovia.
Em segundos saí pela janela que fica acima da roda traseira da direita e quase tive os meus pés presos entre ela e a carroceria, Deus me poupou desta. Ao pular para fora, subi para a BR 101 e tentei acenar parra alguns carros que passavam mas ninguém parava. Ouvi gritos me mandando ir para o outro lado do ônibus porque ali era muito perigoso; ao descer da BR atendendo a “ordem” me atolei em uma lama podre onde o ônibus estava embicado.
Com dores no joelho e no frontal esquerdo pela pancada assentei-ma no chão próximo ao ônibus e fiquei vendo o apoio que os moradores davam aos feridos enquanto os bombeiros e ambulância não chegavam. Eram 3h 15min, estava muito escuro o local, segundo um rapaz me falou é: Altura de Luis caçador, São Gonçalo, Rua Venceslau Alves da Costa, altura do número 12.
Vi pessoas gemendo, outras em crise e outros tentando aos gritos por ordem no cenário. Vi um amigo, Honorato que trabalha comigo e que estava na poltrona cinco sair ileso e vi uma senhora obesa muito salpicada de sangue. Naquele momento, chegou um rapaz perto de mim e falou: “Isto foi um susto que Deus quis dar em vocês; Ele quis dizer que dizendo que devemos atentar para a nossa vida enquanto a temos; fui só um dedinho de Deus”.
Fui atendido no Hospital Universitário de Niterói, Antônio Pedro. Ali, ao meu lado esperando atendimento estava a Sra Gilvania, vestida em um terninho e com alguns brincos, ela perdera a bolsa com documentos e dinheiro e só estava com uma bolsa de mão, estava totalmente enlameada. Perguntei-lhe se aceitaria uma calça e uma camisa do meu filho Eron que eu levava na minha bolsa, ela aceitou; foi ao banheiro e jogou no lixo suas vestes juntamente com os adornos que usava e colocou uma calça de nylon e uma camisa verde que lhe dei.
Neste acidente bastante noticiado pela mídia e nas páginas do extra, O Dia e O Globo do dia 7/3/05, teve dezoito feridos, entre eles eu com apenas duas lesões e uma dor no pescoço que estou tratando e dois mortos, um deles estava na poltrona 1.
Deus me livrou deste acidente fatal. Tive muitas lições deste episódio. Ao SENHOR, toda honra, toda glória e todo o louvor.
Eu dependo da Graça de Deus.